• Trauma dentário é mais comum do que cárie

    Trauma dentário é mais comum do que cárie

    Postado por: EuAmoOdonto
    Categoria: Saúde/Bem-estar

    A dentista Paula Cristina Pelli Paiva faz um alerta: o traumatismo é a maior causa de problemas bucais entre os jovens. Autora de tese de doutorado defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da UFMG, ela destaca ainda que o consumo de álcool é um dos fatores que aumentam o risco de acidentes.

    “A incidência de trauma já é superior ao da cárie dentária e da doença periodontal, que é a infecção nas estruturas de suporte dos dentes, como osso e gengiva”, explica. As fraturas podem afetar apenas o esmalte, ou simultaneamente esmalte e tecido do dente, coroa e raiz , ou ainda provocar luxações.

    Além dos danos físicos, as lesões podem afetar a aparência e dificultar a mastigação e emissão de sons compreensíveis. Segundo Paula Paiva, esses acidentes precisam ser prevenidos, pois podem provocar problemas funcionais, estéticos, psicológicos e sociais. “O tratamento das sequelas, por exemplo, é de alto custo. Por isso, a importância de conhecer a etiologia para planejamento de programas de prevenção e controle”, avalia.

    Segundo a pesquisa, adolescentes que consomem álcool têm maior risco de sofrer traumatismo dentário, principalmente se forem do sexo masculino. Outras variáveis também influenciaram nos elevados índices de lesões: sobressaliência, que são os dentes superiores anteriores muito proeminentes com relação aos dentes anteriores inferiores; e proteção labial, quando o lábio superior não cobre adequadamente os dentes anteriores superiores. “Se o dente não estiver adequadamente protegido, poderá sofrer maior impacto durante um acidente”, explica Paula.

    Causas

    Para analisar a prevalência de traumatismos, foi realizado estudo com 633 escolares de 12 anos de idade, matriculados em escolas públicas e particulares da cidade de Diamantina, na Região Central de Minas Gerais. De acordo com a pesquisadora, a idade escolhida representa o período em que o indivíduo está mais vulnerável aos traumas, além de já ter a dentição completa.

    Os resultados apontaram que 29,3% do total de adolescentes entrevistados estavam com algum tipo de traumatismo dentário. A pesquisadora enfatiza que o percentual corresponde a um terço da população, índice superior ao de países como Irlanda, Itália e Espanha, onde a média é de 17%.

    A prevalência do consumo de bebida alcoólica relatada pelos adolescentes foi de 45,6% e seu consumo excessivo correspondeu a 22,64%. “O uso de álcool vai de encontro a uma lei que fala que é proibido o uso de bebida alcoólica por menores de 18 anos de idade. Então é preciso trabalhar mais as questões sociais”, pondera.
    Em todas as variáveis, o sexo masculino apresentou maior prevalência de lesões, representando 51% dos traumas. Para a autora do estudo, o sexo é um dos fatores mais conhecidos, uma vez que meninos são mais suscetíveis a acidentes ocasionados por práticas esportivas, como o futebol.

    Capital social

    Outro aspecto analisado na pesquisa foi o sócio-econômico. Dados como o grau de escolaridade da mãe e itens de posse foram coletados por meio de um questionário. “Construímos um instrumento só para medir o capital social em adolescentes”, conta a dentista. Ela explica que o questionário foi constituído por 12 itens, divididos em quatro domínios: coesão social na escola; rede de amigos na escola; coesão social no bairro e vizinhança; e confiança dos adolescentes na escola, bairro e vizinhança.

    Entretanto, não houve associação entre o capital social e o traumatismo dentário na população estudada. “Embora a associação não seja estatisticamente significante, desenvolvemos um questionário que permitiu uma análise importante do capital social e das interações que podem repercutir na saúde. Realmente foi uma proposta nova para ser aplicada em adolescentes escolares de uma forma geral, e não somente na odontologia”, avalia.

    Fonte: Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG

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