• Sulco Pigmentado – Restaurar ou Não?

    Sulco Pigmentado – Restaurar ou Não?

    Postado por: Dra. Juliana Lemes
    Categoria: Saúde/Bem-estar

    Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo clínico é o diagnóstico de lesões iniciais de cárie, principalmente em virtude da anatomia oclusal dos dentes posteriores. Nem toda mancha no dente é cárie e, por isso, nem todas as pigmentações necessitam de procedimentos restauradores.

    A prevalência desses manchamentos varia de acordo com a anatomia do dente e da superfície dental envolvida. Por exemplo: é mais fácil uma pigmentação na superfície oclusal de um terceiro molar do que na face vestibular do canino.

    A pigmentação dos sulcos oclusais pode ou não ser indicativo de desmineralização de esmalte. Ou se trata de um selamento biológico, quando a saliva “fixa” os pigmentos oriundos da alimentação no fundo dos sulcos, ou processos de desmineralização do esmalte dental.

    Mas como devemos proceder no dia a dia do consultório?

    Existem meios específicos para o diagnóstico de lesões cariosas, sendo a inspeção visual e o Rx das superfícies interproximais os mais utilizados. Mesmo assim, os diagnósticos nem sempre são precisos e devemos atribuir essa dificuldade, principalmente, às mudanças no padrão de utilização de fluoretos (dentifrícios fluoretados, uso tópico profissional e fluoretação da água de abastecimento). Cada meio de diagnóstico tem vantagens e desvantagens, que vão desde o custo na realização dos exames aos resultados inespecíficos para determinadas superfícies. O método que apresenta maior confiabilidade é o histológico.

    Radiografia Interproximal

    O Dentista deve, nessa situação, estar atento à qualidade de escovação, prevalência de lesões de cárie ativa no paciente, quantidades de dentes restaurados e o motivo das perdas dentais, caso existam.

    Por exemplo: Após exame clínico de um paciente que apresenta uma boa higiene oral, poucas restaurações nos elementos dentais, sem atividade de lesões de cárie, é mais prudente o acompanhamento dos dentes que apresentam pigmentação nos sulcos oclusais. Avaliação de exames radiográficos e revisões regulares, com procedimentos de profilaxia profissional, sondagem e aplicação tópica de flúor são procedimentos que caracterizam um tratamento conservador da superfície dental.

    Caso o paciente apresente muitas restaurações, higiene deficiente e áreas de opacidade no esmalte dental próximas ao manchamento, realizamos intervenção minimamente invasiva no elemento dental, com abertura da cavidade com brocas ultraconservadoras e selamento com resinas fluidas ou selantes que liberam flúor, como o Ionômero de Vidro, por exemplo. Há que se motivar o paciente em relação à melhora da qualidade de higiene oral, acompanhamento radiográfico e consultas regulares para proservação.

    Selantes

    Devemos estar atentos, também, ao padrão oclusal. Elementos em infra-oclusão tem o acúmulo de placa facilitado em virtude da falta de contato com o dente antagonista. Nesses casos, as intervenções minimamente invasivas são indicadas, em especial na dentição decídua e na fase de erupção dos primeiros molares permanentes.

    O que devemos fazer é orientar o paciente em relação à pigmentação dental e sobre as possibilidades de tratamento.

    Como sempre dito, o trabalho do clínico no diagnóstico das lesões e, principalmente, na orientação de higiene oral do paciente, é o principal meio de prevenção e melhoria da saúde bucal do paciente.

    Dra Juliana*Juliana Lemes é graduada pela UNESP-SJC, atua em clínica geral e estética dental. Dentista 10h por dia, “escritora” nas horas vagas e “maquiadora” de vez em quando - das resinas, dos clareamentos, dos sorrisos e dos pincéis!

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