• Saúde Bucal em Pacientes com Câncer

    Saúde Bucal em Pacientes com Câncer

    Postado por: Dra. Juliana Lemes
    Categoria: Saúde/Bem-estar

    No mês de outubro nos mobilizamos para a conscientização sobre a importância dos cuidados e compartilhamento de informações sobre o câncer de mama.

    O movimento “Outubro Rosa” surgiu nos Estados Unidos, na década de 1990 e é simbolizado pelo laço rosa. Posteriormente, para que o movimento tivesse uma maior abrangência, monumentos e prédios públicos no mundo inteiro começaram a ser iluminados com a cor rosa.

    De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer é um problema de saúde publica, representando a segunda maior causa de mortes por doença no Brasil. Nos homens o tipo mais comum é o câncer de próstata e, nas mulheres, o câncer de mama.

    Em se tratando de uma doença de grande incidência, não podemos negligenciar as manifestações bucais dos pacientes oncológicos e devemos estar preparados para atuar, em equipe, para melhoria das condições de saúde dessas pessoas.

    O termo “neoplasia” é utilizado para denominar uma multiplicação celular desordenada no organismo, em determinado local, podendo ou não ter características de malignidade.

    Ou seja, nem toda neoplasia (ou tumor, como é conhecido comumente) é maligno. A definição ou não de malignidade é dada por meio de biópsia e exame histopatológico.

    Caso o paciente seja diagnosticado com uma neoplasia maligna, quimioterapia, radioterapia, intervenção cirúrgica ou a associação deles são as opções para o tratamento da doença.

    A condição bucal dos pacientes oncológicos é afetada por conta da imunossupressão causada pelo tratamento quimio ou radioterápico.

    As complicações bucais mais frequentes nos pacientes em tratamento são:

    Mucosite Oral: eritema, edema, sensação de queimação e hipersensibilidade da mucosa oral, que podem desenvolver placas brancas descamativas e, consequentemente, úlceras no tecido mole. Essa condição dolorosa impossibilita a nutrição e hidratação do paciente e isso interfere, diretamente, na capacidade regenerativa do tecido.

    Mucosite Oral

    Xerostomia (boca seca): diminuição do fluxo salivar (volume e composição salivar), que faz com que haja mudança da microbiota bucal e torna o meio suscetível a processos infecciosos em virtude da baixa de células de defesa. A hipossalivação também aumenta a possibilidade de aparecimento de lesões de cárie, já que não ocorre a devida lavagem da superfície dental e neutralização de ácidos produzidos pelas bactérias cariogênicas

    Xerostomia

    Infecções fúngicas (candidíase oral, vulgo “sapinho”): lesões brancas removíveis (pseudomembranosa) localizadas na mucosa oral. Podem também se apresentar como placas vermelhas e lisas sobre o palato duro ou mole (forma atrófica).

    Infecções fúngicas

    Herpes simples ou Herpes Zoster: lesões vésico-bolhosas que se iniciam com coceira, vermelhidão e queimação, principalmente nos lábios, e posterior formação de lesão ulcerada e dolorosa.

    Herpes simples ou Herpes Zoster

    Trombocitopenia (problemas de coagulação sanguínea), que pode causar sangramentos espontâneos nos tecidos. Nesses casos, o Dentista tem que ser muito criterioso em relação à necessidade de procedimentos cirúrgicos e estar apto para intervenções que tenham por objetivo a contenção do sangramento.

    O papel do Dentista no tratamento dos pacientes oncológicos constitui no esclarecimento sobre as possíveis lesões bucais que ele possa apresentar durante o tratamento (já que essas condições patológicas, geralmente, ocorrem nos períodos de administração de fármacos e, portanto, são condições temporárias) e atuação clínica, principalmente na adequação de maio bucal antes do início da quimio/radioterapia.

    O controle de placa, raspagens periodontais, avaliação da existência de lesões de cáries ativas, cirurgias e outros procedimentos precisam ser realizados previamente para que não aumentem as complicações bucais dos pacientes durante o tratamento oncológico.

    Deve-se também orientar os pacientes quanto à higienização oral (uso correto do fio dental, técnicas de escovação, características das cerdas das escovas, uso de enxaguatórios sem álcool), utilização de substâncias que aumentem o fluxo salivar ou saliva artificial para tratamento de xerostomia e limpeza de aparelhos protéticos, que podem favorecer infecções por apresentarem áreas retentivas que acumulam placa e que podem causar infecções em decorrência da baixa imunidade do indivíduo.

    É muito importante a presença de um Dentista na equipe de tratamento do paciente com câncer que, em conjunto com a equipe, proporcionará mais conforto e bem estar durante as diversas fases do tratamento.

    O trabalho multidisciplinar é fundamental para o sucesso do tratamento oncológico e promove melhor qualidade de vida ao paciente.

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