• Reabilitação de lesões cervicais não cariosas associadas com hipersensibilidade dentinária

    Reabilitação de lesões cervicais não cariosas associadas com hipersensibilidade dentinária

    Postado por: EuAmoOdonto
    Categoria: Saúde/Bem-estar

    Autores

    Paulo Vinícius Soares1, Guilherme Faria Moura2, Ramon Correa de Queiroz Gonzaga3, Lívia Fávaro Zeola2, Fabrícia Araújo Pereira2, Alexandre Coelho Machado2, Analice Giovani Pereira2.

    1 - Professor do Departamento de Dentística e Materiais Odontológicos da Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Uberlândia. Coordenador do Grupo de Pesquisa LCNC/FO.UFU e do Programa de Atendimento de Pacientes com LCNC e HD – UFU Referência Ambulatorial. paulovsoares@yahoo.com.br R: Republica do Piratini S/N Bl 4LA Sala 37 Campus Umuarama, Uberlândia MG CEP 38400-000

    2 - Pós Graduando da Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Uberlândia. Membro do Grupo de Pesquisa LCNC e Programa de Atendimento de Pacientes com LCNC e HD – UFU Referência Ambulatorial.

    3 - Graduando da Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Uberlândia. Membro do Grupo de Pesquisa LCNC e Programa de Atendimento de Pacientes com LCNC e HD – UFU Referência Ambulatorial.

    Introdução

    Devido a estratégias de promoção de saúde e as políticas públicas de saúde, doenças bucais, como cárie e doença periodontal, tiveram diminuídas suas prevalências. A atenção do clínico se voltou, então, para injúrias que ocorrem na cavidade oral, cuja etiologia não depende diretamente de microrganismos e da condição higiene bucal do paciente tal como as lesões cervicais não cariosas (LCNC) e a Hipersensibilidade Dentinária (HD). O entendimento de tais lesões desperta grande interesse por parte dos profissionais, pois a partir do momento em que apresentam exposição de dentina são gerados problemas bucais consideráveis, como HD.

    Em relação a maior prevalência de pre?-molares com LCNCs a justificativa para tal e? baseada nos conceitos de biomeca?nica. A constric?a?o cervical que estes dentes apresentam gera maior concentrac?a?o de tensa?o nesta regia?o e tambe?m, a menor espessura o?ssea encontrada na face vestibular destes dentes deixa-os mais susceti?veis a formac?a?o das leso?es. E ainda, devido ao trespasse vertical encontrado na face vestibular dos pre?-molares o que facilita uma desoclusa?o em dentes posteriores na ause?ncia de guia canina, portanto, durante o movimento excursivo para o lado de trabalho, na ause?ncia de guia canina, os pre?-molares sa?o os dentes que mais recebem carregamentos laterais.

    Neste contexto, as regio?es cervicais são mais suscepti?veis a concentrac?a?o de tensa?o e deformac?a?o, podendo exceder os limites de resiste?ncia e romper-se micro e macro-estruturalmente (Esquema 1). Assim, a perda de estrutura nessa regia?o seria desencadeada. Portanto, a direc?a?o, magnitude e freque?ncia das forc?as oclusais atuam diretamente como parte da tri?ade de formac?a?o multifatorial das LCNCs. O cara?ter multifatorial destas lesões e da HD faz com que o controle dos fatores causadores dessas alterac?o?es seja fundamental para o sucesso do tratamento. Dentre esse fatores destaca-se também p feno?meno chamado de Biocorrosa?o que se refere a degradac?a?o qui?mica, eletroqui?mica e bioqui?mica da estrutura dental em organismos vivos, e e? considerado o termo mais adequado para designar esse fator. Esse processo pode ocorrer por causa da ac?a?o de a?cidos e por efeitos proteoli?ticos e piezoele?tricos da dentina, diferentemente da erosa?o dental, caracterizada pela degradac?a?o meca?nica gerada pela movimentac?a?o e atrito de fluidos em contato com as estruturas dentais.

    Caso clinico gluma foto
    Simulac?a?o atrave?s do me?todo de elementos finitos 3D gerado de uma amostra real para ana?lise do campo tensa?o-deformac?a?o da LCNC. (Acervo dos projetos de Pesquisa do Grupo LCNC-FO.UFU Pereira et al., 2012).

    Os autores deste tem como objetivo relatar um caso clinico de reabilitação de LCNC em pré-molares superiores com alta intensidade de HD. Este caso clínico pertence ao acervo do Programa de Atendimento de Pacientes com LCNC e HD – Referência Ambulatorial da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia. Este Programa é subsidiado pelo SUS (HO.UFU), por fomento de atividades de Pesquisa e Extensão FAPEMIG, CAPES e CNPq e parcerias com iniciativas privadas.

    Relato do Caso

    Paciente gênero masculino, 38 anos de idade relatou alto índices de dor nesta região. Após teste térmico e mecânico, análise do diário de dieta, histórico de distúrbios gástricos e padrão oclusal, foram diagnosticadas LCNCs associadas com HD no elementos 14, 15, 41 e 42. Devido a perda de estrutura dental das LCNCs planejou-se a confecção de restaurações diretas em resina composta para os elementos 14 e 15. Como não havia perda de estrutura dental significativa nos elementos 41 e 42 que justificasse a restauração, os autores indicaram o uso de agentes dessensibilizantes associados conforme descrito a seguir.

    Caso Clinivo gluma foto 2
    Os autores indicam para este caso a restauração direta em resina composta, a restauração semi-direta de acordo com a técnica descrita acima, ou a restauração indireta com fragmentos cerâmicos cimentados adesivamente. A perda de estrutura denta?ria e? fator modulador chave para a alterac?a?o do comportamento biomeca?nico do remanescente denta?rio. A LCNC, portanto, ira? promover o acu?mulo de tenso?es no fundo da LCNC.

    Quando o tecido desgastado e? substitui?do por material restaurador, ocorre a dissipac?a?o das tenso?es presentes no fundo da LCNC, assemelhando-se ao dente sem desgaste cervical.

    Caso o procedimento restaurador na?o seja executado, a concentrac?a?o de tensa?o continuara? presente no fundo da lesa?o, ale?m de esmalte e dentina continuarem suscepti?veis aos demais fatores etiolo?gicos de desgaste, resultando na progressa?o da LCNC e em um ciclo de perda de estrutura.

    Entretanto, na?o basta somente restaurar ou dessensibilizar a LCNC. O procedimento restaurador ou aplicação do dessenbilizante na?o e? o tratamento final patologia. O manejo correto consiste na abordagem terape?utica de todos os fatores etiolo?gicos da formac?a?o e progressa?o. Caso a multidisciplinaridade na?o seja respeitada, pode ocorrer a continuidade da progressa?o da LCNC em dentes ja? restaurados ou dessensibilizados, resultando em falha da restaurac?a?o e retorno da hipersensibilidade.

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    Conclusões

    A HD do paciente foi controlada. É importante o planejamento de visitas futuras e acompanhamento regular. O sucesso do tratamento esta? diretamente relacionado com a capacidade do profissional em detectar e controlar os principais agentes causadores, e consequentemente selecionar corretamente a técnica reabilitadora.

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