• Outubro Rosa e a Odontologia

    Outubro Rosa e a Odontologia

    Postado por: Dra. Thalita Varela Galassi
    Categoria: Saúde/Bem-estar

    Neste mês, através da campanha que surgiu em 1990 em Nova Iorque, e hoje é realizado em vários lugares do mundo, e recebe o nome de Outubro Rosa, o reforço sobre a conscientização da prevenção do câncer de mama – seus fatores de risco, de proteção e medidas de detecção precoce são assuntos amplamente abordados.

    Inspirado neste tema tão importante, voltaremos o olhar, nesta matéria, sobre a importância da conduta do cirurgião-dentista frente a possíveis situações de detecção precoce de câncer bucal, bem como, na orientação e conscientização, principalmente com aqueles que fazem parte do grupo de maior risco. Falaremos também sobre condutas atualizadas pelo INCA sobre a prevenção.

    Desde a graduação, na disciplina de estomatologia, antiga semiologia, somos educados sobre o nosso papel frente a lesões bucais características e suspeitas e o dever, como profissional da saúde, sobre a importância em orientar e conscientizar a população em geral sobre os meios de prevenção.

    Mas, ao longo dos anos, depois de inúmeros atendimentos clínicos, cursos e atualizações em nossas especialidades, podemos acabar, muitas vezes, automaticamente, perdendo um pouco dessa visão geral, em avaliar tecido mole ou dedicar uma atenção especial para aquele paciente no grupo de alto risco. Então pretendemos, com esta matéria, motivar os leitores a ter uma visão além da questão da saúde do dente ou até mesmo do planejamento e condução de tratamento dentro de sua especialidade.

    Câncer Bucal

    Os locais mais comuns de câncer na boca são a língua (26%) e o lábio (23%), principalmente o inferior. Outros 16% são encontrados no assoalho da boca e 11% nas glândulas salivares menores. O restante é encontrado nas gengivas e outros locais.

    Os cânceres que se originam no revestimento da boca ou em tecidos superficiais são denominados carcinomas e correspondem a 96% dos tumores malignos da cavidade bucal. Os que têm origem nos tecidos mais profundos são denominados sarcomas. Raramente, os cânceres observados na região bucal são consequência da disseminação de um câncer de outras partes do organismo, quando ocorrem, geralmente são dos pulmões, das mamas e da próstata.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 90% dos pacientes são tabagistas. O consumo regular de bebidas alcoólicas também pode levar ao desenvolvimento da doença, e a associação entre cigarro e álcool potencializa esse risco. Investigações epidemiológicas comprovam que o vírus HPV (sigla em inglês para papiloma vírus humano) também está relacionado a alguns casos de câncer de boca. Além desses, existem dois outros importantes fatores observados: higiene bucal deficiente e dieta pobre em proteínas, vitaminas e minerais, porém rica em gorduras.

    O exame de detecção do câncer bucal deve ser parte integrante tanto do exame médico quanto do odontológico, pois a detecção precoce é fundamental. Os cânceres com menos de 1 centímetro de diâmetro geralmente podem ser mais facilmente curados.

    Portanto, a palavra chave quando se fala em câncer de boca é a prevenção.

    O Instituto Nacional de Câncer (INCA), um órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil, atualizou as diretrizes para a detecção precoce do câncer de boca. O Instituto deixou de preconizar o autoexame e o rastreamento populacional após a avaliação de diversos estudos e pesquisas recentes, que demonstram não haver evidências cientí- ficas de que as medidas tenham conseguido reduzir o número de novos casos ou baixar a taxa de mortalidade pela doença. Para a detecção precoce da doença, o Instituto recomenda procurar de imediato um dentista ou médico caso surja lesão na boca que não cicatrize em até 15 dias. E o mesmo, após o exame e caso verifique alguma suspeita, encaminhará o paciente ao estomatologista.

    O profissional ao examinar o paciente e encontrar alguma lesão não passível de ser diagnosticada clinicamente deve recorrer a exames complementares, os mais utilizados são a citologia esfoliativa e a biópsia.

    De acordo com o INCA, e exame físico de toda a cavidade bucal deve ser feito de maneira metódica para que todas as áreas sejam analisadas e seja possível a identificação de próteses dentárias ou outras prováveis causas de trauma contínuo. As lesões, sempre que possível, devem ser palpadas, a fim de se confirmar seus reais limites e o acometimento de estruturas adjacentes. A palpação das cadeias linfáticas cervicais completará o exame, sendo importante a determinação do tamanho dos linfonodos, sua mobilidade e relação com estruturas vizinhas.

    Ao ser identificado o tumor, é importante registrar suas dimensões e características: se é ulcerado, infiltrativo, necrosado, com infecção secundária, se ultrapassa a linha média, se há indícios de invasão óssea e/ou da musculatura profunda. A presença de leucoplasias, eritroplasias e possíveis lesões pré-neoplásicas simultâneas devem ser investigadas. O trismo, quando presente, pode ser decorrente da invasão tumoral da musculatura pterigóidea ou por dor local. Exames de imagem (como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética) são importantes nesses casos, mas, às vezes, só o exame sob narcose, no centro cirúrgico, vai esclarecer essa dúvida.

    O tratamento e o prognóstico do câncer bucal estão relacionados ao grau de comprometimento do paciente pelo tumor. Em geral, o tratamento do câncer de boca é feito com cirurgia e radioterapia, de forma isolada ou associada. Em alguns tipos também é usada a quimioterapia. O tratamento do câncer de boca é multidisciplinar, podendo envolver, além dos profissionais de odontologia e cirurgia de cabeça e pescoço, fonoaudiólogo, nutricionista, fisioterapeuta, enfermeiro, assistente social e psicólogo. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço mostram que, na maioria dos casos, a doença só é descoberta quando já se encontra nos estágios II ou III, ou seja, em fase adiantada.

    Segundo o INCA, a doença ainda mata mais de 4 mil pessoas por ano. O CFO, preocupado com o crescimento da doença, trabalhou junto ao Congresso Nacional na aprovação do projeto que cria a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal (PL 3939/12). O objetivo é estimular ações preventivas e educativas, promover debates e outros eventos sobre as políticas públicas de atendimento integral a portadores de câncer bucal, apoiar atividades organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil em prol do controle deste mal.

    Antes de qualquer planejamento odontológico, que tenhamos um olhar especial neste sentido. Por meio de uma anamnese e exame clínico criteriosos, desempenhando nosso papel com excelência.

    Fontes

    INCA
    CFO
    LESÕES BUCAIS

    Dra.Thalita Varela Galassi, Ortodontista, Mestranda em Ciências da Reabilitação, Professora de Ortodontia e Digital Influencer em Mídias Sociais em Odontologia.

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