• Dia Mundial de Combate à Aids

    Dia Mundial de Combate à Aids

    Postado por: EuAmoOdonto
    Categoria: Saúde/Bem-estar

    João Geraldo Netto trabalha no Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, na Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde e concedeu esta entrevista à Dental Speed Graph com intuito de alertar a população dos cuidados e toda a prevenção que pode ser tomada para não se contrair essas doenças sexualmente transmissíveis, Aids e Hepatites, e como ser feliz mesmo sendo soro positivo, o tratamento e o acolhimento:

    João, além da experiência de 12 anos no combate ao HIV e DSTs, você é soropositivo e já é referência de superação, determinação e também responsável pela conscientização da população. O Brasil já é referência mundial no combate ao HIV. De que forma o Ministério da Saúde busca levar o máximo de informação às pessoas sobre o HIV, sendo que um levantamento da OMS diz que 7 mil novos casos surgem diariamente?

    Resposta: O Brasil está muito a frente na luta contra a aids, com relação a outros países. Vimos na Conferência de Aids de 2014, na Austrália, que o Brasil já adota ações de prevenção e tratamento que são referências para todo o mundo, porém, eu acredito que um dos grandes problemas de hoje em dia são os jovens que não viveram os horrores da epidemia da aids da década de oitenta, acabam por considerar a doença longe da realidade deles. Não é a toa que a maioria dos novos casos de infecção aconteça entre essa população. Infelizmente, essa banalização não é privilégio dos jovens. Além disso, a população LGBT está sendo muito atingida pela vulnerabilidade que ela vive.

    A homofobia é algo que tem que ser duramente combatida para permitir que essa população circule livremente pelos serviços de saúde para pegar uma camisinha ou se prevenir das outras maneiras possíveis, como a profilaxia pós-exposição, que é o uso dos medicamentos antirretrovirais após um acidente ou contato de risco, por exemplo.Todo cuidado é pouco para não contrair o vírus. No caso de já estar infectado pelo vírus HIV, quais são as primeiras providencias que devem ser tomadas para que se comece efetivamente o tratamento adequado?

    Resposta: A primeira coisa a se fazer é procurar uma unidade de saúde ou um médico particular. Daí, informar a ele do resultado e aproveitar essa consulta para tirar todas as dúvidas. O médico deve ser visto como a melhor fonte de informação! Ele é quem sabe como o tratamento deve ser dirigido. É muito importante, também, que a partir de um diagnóstico como esse, haja uma melhoria nos hábitos de vida para evitar que a imunidade caia por outros fatores. Exercícios físicos podem ajudar a evitar efeitos colaterais dos medicamentos e melhorar o enfrentamento da doença, além disso, adequar a alimentação é essencial para que se leve uma vida saudável. O que é importante para pessoas que não têm o vírus, se torna indispensável para quem vive com o HIV.

    Desde dezembro de 2013, toda e qualquer pessoa que for diagnosticada positiva para o HIV, pode iniciar o tratamento com os antirretrovirais. Isso é de suma importância para que o corpo se recupere de maneira mais rápida e eficiente e muito importante para que evitemos infectar outras pessoas no caso de um acidente durante a relação sexual, por exemplo.

    Como você encara a descoberta do outro? Sei da sua história, através do vídeo da Cristófoli soube mais, e vi que não foi fácil quando soube que adquiriu o vírus HIV, mas da forma como encara isso, fica claro que você é um exemplo de superação e de motivação pra muita gente. Mas e a descoberta do outro? Quando alguém entra em contato com você e diz que é soropositivo? Como você encara isso no dia a dia? Qual a melhor forma de reagir? O que você aconselha para os familiares?

    Resposta: Descobrir que tem HIV, mesmo nos dias de hoje, quando a aids é vista como uma doença crônica e temos o tratamento no serviço público e de forma gratuita, não é fácil. A aids ainda é carregada de estigma e sofremos muitos preconceitos. Eu tive muita sorte por crescer em uma família e comunidade que sempre foi muito aberta e livre desses preconceitos. Nunca tive problema algum pelo fato de ser soropositivo, mas conheço muitas pessoas que sofrem muito. Por isso, quando recebo mensagens de pessoas que acabaram de descobrir sua sorologia, eu fico muito triste. Na maioria das vezes, são jovens que se colocaram em risco por ignorância ou outros motivos. Sei que essa pessoa pode enfrentar muitos problemas com a saúde ou a sociedade que vive e sempre tento jogar limpo.

    Dizer que não será fácil, mas que existe muita vida após o HIV. Eu não sou uma pessoa diferente deles, e qualquer um pode enfrentar a doença como eu a enfrento, de cabeça erguida. Não vou negar que fico triste quando um exame dá algum problema. Já chorei muito e pensei que fosse morrer várias vezes, mas eu decidi viver dignamente e positivamente. Aprendi a enxergar o copo sempre meio cheio, independente dos problemas. Acredito que as coisas sempre tem um lado bom. Aos meus amigos e familiares, sempre tento me informar e estar bem para conversar com eles. A preocupação deles é real e constante, mas eu consigo demonstrar que estou me cuidando e que não vou adoecer sendo negligente.

    Quais as campanhas que você considera hoje necessárias para a disseminação da informação. Quais os recursos que hoje o Brasil dispõe para a prevenção e informação sobre o assunto?

    Resposta: Uma coisa que não dá pra negar é que as campanhas são muito generalizadas. Não atingem a população mais afetada que é composta pelos profissionais do sexo (homens e mulheres), os usuários de drogas, os jovens, os gays, as travestis e transsexuais e os homens que fazem sexo com homens. Enquanto as campanhas não falarem com essa população, não serão eficazes. Os recursos que temos para investir em campanhas é bastante alto, mesmo após trinta anos do início da aids no país. E esses recursos têm sido usados em diversas atividades de prevenção. Seja com campanhas publicitárias até ações locais de prevenção, distribuição de camisinha e oferecimento de testes.

    Acho que estamos caminhando para o lado certo, mas temos muito trabalho pela frente.

    A Dental Speed Graph é referência em produtos odontológicos e nossa preocupação é com toda a população. Como o dentista deve se proteger e prevenir qualquer tipo de contaminação dentro do consultório odontológico?

    Resposta: Não é muito comum aparecerem casos de pessoas que se infectaram no dentista. Sejam eles pacientes ou profissionais. O HIV é um vírus muito frágil e morre pouquíssimo tempo depois que é exposto ao oxigênio, porém, em condições ideais como em uma seringa ou em uma quantidade um pouco maior de sangue, ele pode sobreviver e infectar a outra pessoa. O risco maior é o risco de infecção pelas hepatites B e C, que pode ser muito danosa para quem já vive com o HIV. É extremamente importante que se esterilize todo o equipamento usado durante os procedimentos. Além disso, o profissional deve usar luvas, roupas adequadas, máscaras e óculos, para evitar que gotas de sangue espirrem nos olhos ou boca. E se acontecer algum problema, ele deve procurar uma unidade de saúde e fazer a profilaxia pós-exposição, que vai reduzir muito a chance de infecção.

    Sabemos da necessidade de vestimentas adequadas, jalecos, máscaras, gorros, instrumentação esterilizada, proteção pra todos os lados. Não só por causa da contaminação do vírus HIV, mas também de outros vírus e infecções. Quais os métodos de prevenção adequados para o paciente?

    Resposta: Ao paciente só cabe escolher profissionais que tenham uma higiene adequada das instalações e que se preocupem com os cuidados básicos para preservar sua saúde. Infelizmente, muitas vezes, esses descuidos passam despercebidos e podem causar sérios problemas para a saúde e é por isso que nós, pacientes, devemos ficar sempre atentos.

    Outros ambientes também são insalubres e precisam de cuidados, centros cirúrgicos, clínicas de estética, e até na manicure precisamos ter a devida atenção. Quais são suas orientações nesses casos? E os métodos para a população se prevenir?

    Resposta: O ideal seria que verificássemos se todo o material foi esterilizado em altoclave adequadamente, mas sei bem que não temos como verificar isso, porém, podemos sempre lembrar os profissionais durante o pré-operatório da importância de condições adequadas para o procedimento cirúrgico e exigir material descartável ou devidamente esterilizado.

    Assista ao vídeo da Cristófoli 'Vida e Amores por João Geraldo Netto'.

    Vídeo

    Deixe seu comentário