• Cremes Dentais

    Cremes Dentais

    Postado por: Dra. Juliana Lemes
    Categoria: Dentista de Sucesso

    Dentifrícios são substâncias que, até pouco tempo, eram consideradas unicamente cosméticas, utilizadas durante a higienização oral, juntamente com as escovas de dente.

    Porém, por meio da incorporação de substâncias como o flúor, os cremes dentais têm desempenhado um papel terapêutico importante na manutenção da saúde bucal dos pacientes.

    O primeiro creme dental surgiu no Egito, há 4 mil anos, e era composto de pedra pomes pulverizada e vinagre, que era aplicado nos dentes com pequenos ramos de arbustos. O primeiro dentifrício comercializado foi desenvolvido em 1850, nos Estados Unidos, inicialmente como um pó e depois modificado para forma de pasta dental.

    Atualmente, além de componentes para manter a forma física do produto, são adicionados componentes preventivos para auxiliar no tratamento de determinada patologia e/ou prevenção de determinado problema bucal.

    Basicamente são compostos de: abrasivo (20-50%), umectante (20-40%), água (20-35%), ligante (1-2%), detergente (1-3%), flavorizante (1-2%), conservante (0,05-0,5%), princípios preventivo-terapêuticos (0,4-1%).

    ABRASIVOS

    São utilizados para limpeza e polimento superficial, proporcionando ao paciente a impressão de “dentes mais brancos”, já que o manchamento está relacionado com a pigmentação da camada de proteínas salivares (ou película adquirida), continuamente em formação na superfície dental. Os abrasivos desorganizam essa película e mantém os dentes mais lisos e “brancos”. A quantidade de abrasivo utilizada no creme dental precisa ser limitada para que não ocorram danos nas estruturas que formam o dente. Não há muita preocupação em relação ao esmalte, que é um tecido muito mineralizado e sua dureza é maior do que a dos abrasivos utilizados nos cremes. Porém, quando há exposição de dentina, devemos nos preocupar com a abrasividade e com a dureza das cerdas para que não haja perda tecidual. Desse modo podemos dizer que a maior preocupação é em relação às lesões de retração gengival em adultos. Os dentifrícios são classificados de acordo com o potencial de abrasividade em relação à dentina (RDA), sendo que internacionalmente o valor aceito de RDA é de 250.

    Abrasividade Creme Dental

    Apesar da grande variedade de cremes dentais no mercado, nenhum apresenta valor RDA maior que o permitido.

    FLAVORIZANTES

    São responsáveis pelo “bom hálito”, porém sua utilização pode se relacionar à sensibilidade na mucosa bucal (queimação) em alguns casos, por conta dos óleos aromáticos utilizados na fórmula. Devemos orientar o paciente a mudar de creme dental caso ele relate queimação, até encontrar um dentifrício que não agrida o tecido. Em algumas situações, podemos prescrever um creme manipulado com baixa concentração de óleos aromáticos, além de menores concentrações de LSS (lauril sulfato de sódio), detergente muito utilizado em cosméticos, também relacionado com sensibilidade.

    DETERGENTES

    Facilitam a limpeza, ressuspendendo resíduos removidos da superfície. Possuem propriedades molhantes, emulsificantes, espumógenas e solubilizantes. O mais utilizado é o lauril sulfato de sódio (LSS) que em altas concentrações pode causar reações alérgicas. Há quem diga que o LSS seria um agente cancerígeno, mas a afirmação não pode ser confirmada devido à falta de comprovações científicas. Formulações com menos quantidade de LSS deve ser prescrita para pacientes com reações alérgicas. Não há dentifrícios sem LSS no mercado.

    PRINCÍPIOS TERAPÊUTICOS

    A adição de substâncias terapêuticas aos dentifrícios é de grande importância para o combate de doenças e infecções que acometem os tecidos bucais. Por isso, o Dentista deve estar atendo à composição das pastas para indicar o melhor produto para tratamento de seu paciente.

    O flúor foi a primeira substância utilizada em cremes dentais, sendo o princípio ativo de maior importância para a prevenção da doença cárie, por auxiliar no processo de remineralização do esmalte dental após o ataque ácido produzido por bactérias cariogênicas. Ainda há muita controversa em relação à toxicidade do flúor e sua utilização nas pastas de dente. De acordo com SCHEIEE (1992),A importância da adição de flúor aos dentifrícios deve ser entendida como semelhante à suplementação de vitaminas ao leite, manteiga e pão”.

    Para ROLLA (1990), temos um comparativo entre a utilização do flúor e a qualidade da remoção mecânica da placa:

    • Má higiene oral + flúor = proteção parcial do meio bucal
    • Higiene oral regular + flúor = proteção total do meio bucal

    A utilização de cremes dentais com flúor é importante para crianças e adultos, controlando cárie em esmalte e dentina. A concentração de flúor nas pastas de dente deve ser entre 1000-1100 ppm, porém há no Brasil cremes com concentração de 1500 ppm. Isso porque o carbonato de cálcio, utilizado como abrasivo, reage com o flúor e diminui a quantidade ativa de produto na formulação.

    Em virtude da fluoretação da água de abastecimento de grande parte dos municípios e da utilização de pastas de dentes com flúor na composição, os Dentistas devem ficar atentos ao aumento da prevalência de fluorose dental em crianças. Por isso, devemos orientar os pais sobre a ingestão do creme dental, quantidade utilizada e importância do monitoramento da criança enquanto ela escova os dentes.

    Outros componentes são adicionados às pastas de dentes com objetivo de reduzir sensibilidade dental, diminuir o acúmulo de placa e cálculo dental (tártaro) e combater halitose (mau hálito).

    Para a diminuição da sensibilidade, cloreto de estrôncio ou nitrato de potássio é adicionado para obliterar os canalículos dentinários. O triclosan associado com gantrez ou zinco tem ação efetiva contra o acúmulo de placa. Agindo no acúmulo de placa, podemos dizer que haverá diminuição de inflamações gengivais e redução da formação de tártaro.

    A clorexidina é um antimicrobiano de amplo espectro e apresenta a capacidade de se adsorver à receptores na cavidade bucal, porém é um princípio ativo muito reativo, o que a torna incompatível com os demais componentes dos cremes dentais.

    Há no mercado uma variedade de produtos com o objetivo de auxiliar os cuidados bucais dos nossos pacientes.

    Fica claro, mais uma vez, a importância de explicarmos que as doenças bucais surgem, basicamente, do acúmulo de placa bacteriana na superfície dental. Sendo assim, devemos enfatizar a importância da remoção mecânica da placa e ensiná-los técnicas de escovação eficazes para desorganização dessa película bacteriana.

    Nossos pacientes precisam entender que, junto com cremes dentais, a escovação é o melhor “motorzinho” para cuidar dos dentes!


    Juliana Lemes é graduada pela UNESP-SJC, atua em clínica geral e estética dental.
    Dentista 10h por dia, “escritora” nas horas vagas e “maquiadora” de vez em
    quando - das resinas, dos clareamentos, dos sorrisos e dos pincéis!

    Juliana Lemes

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