• Apicectomia: estudo de caso clínico

    Apicectomia: estudo de caso clínico

    Postado por: EuAmoOdonto
    Categoria: Dentista de Sucesso

    Por Rodrigo Cirilo Deutsch*

    O objetivo deste caso é demonstrar uma alternativa para preservação de um elemento dental que sofreu dilaceração radicular, comprometendo a dentina, o cemento e a polpa da área fraturada.

    Foi utilizado como critério de escolha para terapêutica cirúrgica, a região radicular envolvida na fratura, forma de alisamento radicular e material para preenchimento alveolar.

    O CASO

    Paciente do sexo feminino de 40 anos, caucasiana, não fumante, sem hábitos nocivos, foi encaminhada ao consultório apresentando desconforto à compressão digital com sinais de extravasamento de pus pelo colo cervical do elemento 12.

    Visualização inicial
    Visualização inicial

    A sondagem periodontal evidenciou perda óssea na face vestibular (10 milímetros), o Rx periapical revelou radiolucidez não delimitada sugestiva de granuloma, formada por tecido inflamatório envolvendo o ápice radicular desvitalizado.

    Sondagem periodontal inicial e Comparativo da profundidade de bolsa
    Sondagem periodontal inicial e Comparativo da profundidade de bolsa

    Para auxiliar no diagnóstico, a película foi fotografada e a imagem ampliada no computador, revelando uma fratura do delta apical de aproximadamente 3 milímetros. Questionada, a paciente relatou não recordar de traumas nesta região, porém, o desconforto que sentia era superior a três meses.

    Raio-X inicial e Imagem visualizada no computador e Localização da fratura
    Raio-X inicial e Imagem visualizada no computador e Localização da fratura

    Na assepsia extraoral, foi utilizado CLOREXORAL a 2% da empresa Biodinâmica, evitando com isso reações alérgicas a produtos com base de iodo e garantindo uma correta área asséptica. Já para intraoral, foi utilizado digluconato de clorexidina a 0,12% como bochecho por 60 segundos.

    O procedimento cirúrgico foi realizado com anestésico local injetável CLORIDRATO de ARTICAÍNA + EPINEFRINA/ 72MG+18 UG CARPULE de modo infiltrativo e localizado.

    A incisão foi realizada com lâmina cirúrgica de curto diâmetro em uma angulação de biselamento de 45 graus, expondo somente a área a ser trabalhada (técnica retalho semilunar), preservando uma parte da gengiva inserida, garantindo boa irrigação sanguínea na área cirúrgica e preservando as papilas interdentais.

    Incisão semilunar preservando as papilas e Exposição da área afetada
    Incisão semilunar preservando as papilas e Exposição da área afetada

    DISCUSSÃO

    A fratura resultou na dilaceração do delta apical, neste caso envolvendo possíveis canais laterais e ramificações apicais (93% a 98% segundo KIM et al. – 2001- Microsurgery in endodontics. W.B. Saunders Company; 172p)**.

    Seguindo as recomendações de NEDDERMAN et al*** e CARR G.B****,foram selecionadas brocas de alta rotação tanto para melhora do acesso ósseo quanto para remodelação apical com irrigação contínua de soro fisiológico.

    O ápice radicular fraturado foi removido, toda a loja cirúrgica foi curetada e a raiz dentária debridada, com irrigação constante, removendo áreas que podem formar degraus e com isso, servindo de reservatórios de tecido pulpar necrótico e de bactérias, levando ao insucesso do procedimento.

    Curetagem da lesão e Melhorando o acesso
    Curetagem da lesão e Melhorando o acesso

    Demonstrando a profundidade da sondagem, Sondagem por dentro da parede óssea vestibular e Ápice radicular fraturado removido
    Demonstrando a profundidade da sondagem, Sondagem por dentro da parede óssea vestibular e Ápice radicular fraturado removido

    O remanescente radicular foi remodelado a uma angulação de 90 graus, garantindo o aumento da área disponível para reinserção do ligamento periodontal, evitando uma maior exposição de túbulos dentinários e preservando um maior remanescente radicular.

    Área fraturada e Área a ser remodelada
    Área fraturada e Área a ser remodelada

    O alvéolo foi devidamente preenchido com ALVEOLEX (Biodinâmica), este material foi selecionado por ser um produto biocompatível, possuir leve ação antimicrobiana, auxiliar e estimular a regeneração tecidual, garantindo a paciente um pós-cirúrgico mais confortável e uma correta recuperação da loja cirúrgica.

    Após remodelação radicular, preenchimento do alvéolo e Preenchendo com ALVEOLEX
    Após remodelação radicular, preenchimento do alvéolo e Preenchendo com ALVEOLEX

    Remoção do excesso de material e Visão final do alvéolo
    Remoção do excesso de material e Visão final do alvéolo

    A sutura realizada com fio Seda Trançada 4-0 com pontos simples mantendo uma mínima distância entre eles para que a mesma possa higienizar a área cirúrgica com uma gaze e gel de clorexidina.

    Inicio da sutura e Sutura próxima às papilas e Visão final de toda área suturada
    Inicio da sutura e Sutura próxima às papilas e Visão final de toda área suturada

    A mesma foi submetida a controles radiográficos periódicos.

    Raio-X Final e Imagem com contraste mostrando a ausência da lesão
    Raio-X Final e Imagem com contraste mostrando a ausência da lesão

    Comparação entre o Raio-X inicial e o Raio-X final
    Comparação entre o Raio-X inicial e o Raio-X final

    CONCLUSÃO

    No fim da cirurgia, constatou-se que o uso da Técnica de Apicectomia, quando corretamente indicada, se mostra uma alternativa bastante eficaz para garantir uma maior sobrevida a elementos dentais que apresentam lesões ou que sofreram dilacerações em seus deltas apicais, evitando possíveis exodontias, preservando estruturas ósseas e com isso, mantendo um maior equilíbrio bucal.

    Rodrigo Cirilo Deutsch (CRO 19503) é Especialista em Periodontia (UEL/Pr)
    *Rodrigo Cirilo Deutsch (CRO 19503) é Especialista em Periodontia (UEL/Pr), Professor Assistente e Monitor Clínico do curso de Especialização em Implantodontia do Instituto Ingá(UNINGÁ) sede Londrina e Membro da Associação Brasileira de Analgesia e Sedação Consciente em Odontologia - ABASCO.

    Referências bibliográficas:

    **KIM S, Pércora G, Rubinsteins R, Dorscher-Kim J. Microsurgery in endodontics. W.B. Saunders Company; 2001. 172p.

    ***NEDDERMAN T.A,Hartwell G.R, Portell F.R.A :Comparison of root surfaces following apical root resection wiht vários burs: scanning electron microscopic valuatin. Journal of Endodontics 1988;14:423-7.

    ****CARR G.B:Surgical endodontics. In:Cohen S., Burns RC. Pathways of pul.6.ed.St. Louis: Mosby – Year Book; 1994.p.539-55.

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