• A Vitamina D: nossa realidade

    A Vitamina D: nossa realidade

    Postado por: Dra. Thalita Varela Galassi
    Categoria: Saúde/Bem-estar

    Inspirada em nosso cotidiano e em algumas alterações que eu mesma apresentei nos últimos exames de rotina, vim, neste post, alertar os colegas sobre a importância da VITAMINA D em nosso organismo.

    Vivemos diariamente em ambiente fechado de consultório e com muito protetor solar, por isso procure saber como está sua taxa de vitamina D. Essa matéria é um alerta!

    Mas qual a importância dela para nosso organismo? Como adquirimos? Como prevenir sua deficiência? Vamos se inteirar um pouco sobre este assunto, tão fundamental nesses dias atuais.

    O que é a real “Vitamina D”?

    Ela se difere das demais vitaminas. Primeiro porque, embora até seja possível absorvê-la pela alimentação, sua maior fonte é o sol. Os raios ultravioletas B (UVB), desencadeiam uma série de reações químicas que produzem vitamina D.

    E segundo porque a vitamina D não é uma vitamina, ela é um pré-hormônio muito importante. Ela é uma chave bioquímica que abre as portas de milhares de diferentes processos fundamentais para a vida. Se seus níveis forem altos, não faltarão chaves e as células funcionarão em plena atividade. Mas, com níveis baixos, várias dessas funções ficarão trancadas. Já se sabe de pelo menos 2.500 funções celulares que não funcionam sem a D.

    Em 1931, o químico alemão Adolf Windaus, da Universidade de Göttingen, constatou que essa substância tinha a mesma estrutura de hormônios esteroides, como os hormônios sexuais. Nos anos 90 com a descoberta de que todo o organismo possui receptores para a vitamina D, difundiu-se que ela seria uma classe em si mesma devido a ausência de um órgão alvo específico, como acontece com os hormônios.

    Histórico

    No século 18, na Revolução Industrial, as cidades começaram a se estreitar, cheia de trabalhadores, com prédios cada vez mais próximos, ficando cheias de sombras. A fuligem da queima de carvão, além de poluir, dificultava a passagem dos raios solares. Crianças da Inglaterra e do norte da Europa começaram a apresentar deformações nos ossos, bolinhas na pele e má-formação dos dentes. Estavam sofrendo de uma doença pouco conhecida até então: o raquitismo.

    Em 1916, Harry Steenbock, da Universidade de Wisconsin, descobriu que a luz solar era a resposta para o raquitismo. Junto a isso, sabe-se que a poluição literalmente bloqueia a luz solar, dificultando seu trabalho. Um estudo feito na Índia comparou dois grupos de bebês, com idades entre 9 e 24 meses. Todos seguiam a mesma dieta (as mães eram vegetarianas, e os bebês se alimentavam de leite materno), eram da mesma etnia e tinham o mesmo nível socioeconômico. A única diferença estava no ar. Um grupo morava num bairro com alto nível de poluição atmosférica; o outro respirava ar mais puro. Os bebês do bairro poluído tinham 12 nanogramas de vitamina D por mililitro de sangue. Os outros tinham 27, mais que o dobro.

    Até a década de 1990, acreditava-se que a única função da vitamina D era contribuir para a saúde dos ossos. Nos últimos anos, a partir de novos estudos; mais de 2 mil só em 2014, sabe-se que ela age em diversas partes do corpo: incluindo cérebro, coração, estômago e pulmões. Ela retarda ou ajuda a evitar o aparecimento de Alzheimer e outras doenças degenerativas, alivia a asma, evita demência, esquizofrenia e bipolaridade e reduz os riscos de impotência sexual. Doenças cardiovasculares e infecciosas (como a tuberculose), diabetes, autismo e doenças autoimunes (psoríase, artrite reumatoide, lúpus, entre outras) estão relacionadas à falta de vitamina D.

    Há pesquisas mostrando que a vitamina D desacelera a progressão do câncer de mama e de próstata e pode até prevenir alguns tipos da doença. Também há indícios de que o mesmo acontece com câncer de cólon, pâncreas, cérebro, bexiga, rins e leucemia. Um artigo publicado no British Journal of Psychiatry analisou os resultados de testes com 30 mil pessoas e concluiu que há uma relação entre falta de vitamina D e depressão também.

    Apesar de tantas evidências, a vitamina D ainda é alvo de muita polêmica. A maior parte das sociedades médicas do mundo e dos órgãos responsáveis por definir as diretrizes para os profissionais de saúde continua recomendando cuidados com o sol. 

    No Brasil, o consumo de protetor sextuplicou em menos de 15 anos. Por uma boa causa, claro: proteger a pele do câncer. Só que isso derruba a produção de vitamina D. Aplicar um filtro solar fator (FPS) 15 reduz em 98% a produção dessa vitamina.

    Benefícios da Vitamina D

    Nos ossos

    Resistência. A vitamina D é usada como matéria-prima pelos osteoblastos e osteoclastos, que fabricam o tecido ósseo e eliminam partes danificadas. sem ela, os ossos ficam quebradiços ou malformados.

    No coração

    Limpeza. A vitamina D aparentemente aumenta a produção de renina plasmática, substância química ligada ao controle da hipertensão arterial  (e, consequentemente,  às doenças cardíacas).

    No cérebro

    Atividade. Neurônios de certas regiões, como o hipocampo e o córtex cingulado, supostamente usam a vitamina d para produzir proteínas. Há estudos que relacionam a falta dela com Alzheimer, autismo e depressão.

    No sistema imunológico

    Controle. A vitamina D parece fazer efeito sobre algumas doenças autoimunes, como esclerose e asma. nesse tipo de doença, o sistema imunológico fica hiperativo – e ataca as células do próprio organismo. 

    No câncer

    Proteção. Há pesquisas que relacionam altos níveis de vitamina D com menor incidência de câncer, e um estudo mostrando o efeito dela sobre células tumorais. 

    Quanto sol tomar?

    Não é preciso, nem aconselhável, ficar torrando. Alguns minutos bastam:

    Como o sol vira vitamina

    Nosso corpo faz algo que parece mágica: sintetiza um elemento químico usando apenas luz. 

    1. O sol: os raios ultravioleta B penetram na pele, e reagem com uma substância presente nela: o 7-Dehidrocolesterol, que se transforma em vitamina D3.
    2. O fígado: a vitamina cai na corrente sanguínea e vai até o fígado, onde é transformada em outra coisa: calcifediol. 
    3. Os rins: o calcifediol vai para os rins, onde é convertido em calcitriol, a forma ativa da vitamina D. Ela está pronta — e é distribuída pelo corpo por meio do sangue. 

    Estamos chegando na estação mais alegre e solar, o verão. Entrando como uma luva, este assunto.

    Pratique atividades esportivas sob o sol da manhã e estimule sua produção de vitamina D e principalmente, faça seus exames de rotina, caso constate a sua deficiência, o seu médico te prescreverá suplementos e orientações adicionais.

    Dra.Thalita Varela Galassi, Ortodontista, Mestranda em Ciências da Reabilitação, Professora de Ortodontia e Digital Influencer em Mídias Sociais em Odontologia.
     

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