• A Nona Sinfonia do Dentista

    A Nona Sinfonia do Dentista

    Postado por: Dra. Thalita Varela Galassi
    Categoria: Histórias de Dentista

    Os ruídos das canetas de alta e baixa rotação são corriqueiramente associados à ansiedade e ao medo da “cadeira do dentista”. Constantemente ouvimos a pergunta: ainda não inventaram nada sem barulho?

    As nossas companheiras diárias, as peças de mão, serão o assunto desta matéria. Voltaremos no tempo, conhecendo seu histórico e evolução, faremos uma parada para entender e conhecer as consequências de seu ruído bem como prevenir possíveis problemas e finalizaremos com algumas dicas de manutenção e cuidado destas peças tão fundamentais para o nosso dia a dia clínico.

    Este instrumento de trabalho já passou por muitas evoluções buscando trazer maior qualidade não só para o paciente, mas para o dentista também. Atualmente além das canetas pneumáticas (a ar) que utilizamos, encontramos as canetas elétricas que apresentam baixo ruído. Como as canetas pneumáticas são as mais utilizadas atualmente, iremos discorrer na matéria especificamente sobre ela.

    Histórico

    Nos primórdios da odontologia, a remoção da estrutura dental acometida pela doença cárie era um procedimento de trabalho intensivo. As primeiras ferramentas de mão que evoluiriam para o conjunto: brocas e peças de mão, têm registros datados de 7000 a.C.

    Segundo estudo publicado na revista Nature, um grupo de pesquisadores da Itália, França, México e Estados Unidos descobriram evidências de perfurações em molares de esqueletos de nove indivíduos adultos que viveram em uma comunidade do Neolítico, onde hoje se encontra o sítio arqueológico de Mehrgarh, no Paquistão.

                                        Broca de Arco (7.000 a.C)                                                           Detalhe de dentes Perfurados 

    A medida que o tempo foi passando, essas ferramentas progrediram para vários dispositivos ainda manuais, como a broca rotacionada pelos dedos e por corda. 

                                           Broca de dedos                                                                Broca de corda

    Até que em 1871, James Beal Morrison, dentista de St. Louis (EUA) patenteou o primeiro trépano movido a pedal.

    Em 1872 a S. S. White Company colocou no mercado o primeiro motor elétrico, que havia sido inventado por George F Green, abrindo caminho para um grande desenvolvimento em todos os países. 


                                      Trépano movido a pedal                                 Cadeira de dentista e trépano a pedal ( ou motor de corda)                                                                                                                    Patenteado em 1871 nos Estados Unidos

                                                                                                                 Fonte: Museu Tuany Toledo 

     

    As peças de mão tal qual a conhecemos hoje foram introduzidas na Odontologia em 1950 e, possibilitada pelos avanços da engenharia contemporânea. Em 1957, a grande evolução aconteceu com a introdução pela S. S. White Company da Borden Airotor, a primeira peça-de-mão movida a ar com sucesso, eliminando-se as correias de transmissão e engrenagens, sendo colocado uma pequena turbina refrigerada a ar ou a água no contra-ângulo, que desenvolvia velocidade de 200.000 a 300.000 rpm e não usava nenhuma engrenagem.

    Estas, têm sido pouco modificadas, com todos os novos modelos utilizando uma pequena turbina, diretamente acionada por um compressor de ar. Hoje essas peças de mão são capazes de rotacionar os instrumentos de corte a velocidades superiores a 400.000 rotações por minuto, mantendo-se a estrutura dental sob refrigeração, 20 vezes mais rápido que o motor de um carro de F-1, o que gera seu barulho característico.

    Os ruídos que permeiam o dia a dia do cirurgião dentista advêm de várias fontes, não apenas das canetas de alta e baixa rotação, tais como, compressores de ar, sugadores de saliva, bombas de aspiração à vácuo e turbinas de alta rotação, além de outros fatores como som ambiente e ruído externo ao ambiente de trabalho (GARBIN et al., 2004; TORRES et al., 2007).

    Como método preventivo ao ruído ocupacional a inclusão do protetor auricular como equipamento de proteção individual para o cirurgião-dentista se faz fundamental, objetivando minimizar a exposição ao ruído no consultório odontológico, bem como a ocorrência de lesões auditivas.

    Mas e aí? Não inventaram nada sem barulho?

    Atualmente dispomos também de canetas elétricas, onde apresentam menos ruído, entretanto, essas peças ainda apresentam alto custo e também o uso do Laser em odontologia aparece como solução para diversos procedimentos, dentre eles, estudos demonstram sua aplicação em preparos cavitários. Apesar de parecer ser o aparelho do futuro, algumas desvantagens na sua utilização podem ser enumeradas. Cada procedimento depende da natureza e densidade de energia de irradiação do laser utilizado, não se podendo concentrar todos os tipos em um só instrumento, gerando um alto custo no tratamento. Especificamente relacionado a preparação cavitária existe uma necessidade de aprofundamento das pesquisas, pois a grande maioria é realizada em vitro e não existe uma unanimidade no que diz respeito a natureza do laser utilizado (WIGDOR, 1997).

    Da próxima vez que o seu paciente perguntar, você já tem argumento e conhecimento sobre o assunto.

    Agora, para finalizar, algumas dicas para cuidado, manutenção e longevidade das nossas peças de mão:

    - Lubrificar antes da autoclavagem. Não use lubrificante de baixa qualidade, que evapora na autoclavagem. O UNISpray, por exemplo, dispensa dupla lubrificação – antes e depois da autoclavagem – e garante a lubrificação por muito mais tempo. Peças bem lubrificadas mantêm a qualidade dos rolamentos e correto funcionamento da pinça

    - Lubrificar a pinça, isto é, a presilha que prende a broca. Sim, ela é importante! Essa manutenção envolve a limpeza externa e lubrificação.

    - Limpar com uma escova e higienizar com ácido peracético a parte externa da peça de mão. Somente o álcool 70 não remove os detritos, que mesmo após autoclave podem permanecer na peça, formando uma fina camada aderente, ambiente propício para proliferação de novas bactérias.

    - Usar compressores de ar isentos de óleo. O óleo  misturado no ar de propulsão acelera o desgaste dos rotores, comprometendo a potência. Além disso, é indispensável o uso de filtro secador.

    - Usar brocas novas e em bom estado, as já desgastadas implicam em maior esforço do conjunto de rotores e desgaste dos rolamentos .

    Referências

    1. Museu Tuany Toledo.

    2. Prevdent

    3.Portal Open.

    4.BVS Saúde Pública.  

    5.Diário Odonto.

    6.Univale 

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    Até a próxima matéria 

    Dra.Thalita Varela Galassi, Ortodontista, Mestranda em Ciências da Reabilitação, Professora de Ortodontia e Digital Influencer em Mídias Sociais em Odontologia.  

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